sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Falta tempo, sobra amor.


Sobra melodia, ainda que faltem as notas.
Falta tocar o céu, sobra vontade.
Sobra seu perfume na minha pele, falta meu cheiro em mim.
Sobra a maldita saudade que machuca o coração.Falta metade de mim, sobra dependência.
Sobra vontade de guardar seu sono.
Sobram os sonhos de momentos nossos. 
Falta tempo, sobra amor.
"Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço dentro do abraço..."

E talvez agora eu entenda o que é sentir medo de perder algo tão precioso, tão nosso. Logo agora.
A verdade é que eu sempre soube que não ia ser fácil, mas nunca pensei que fosse ser tão difícil.
Não sei se o texto vai te incomodar, ou algo do tipo, mas o único jeito que eu tenho agora de tirar essa angústia, essa vontade de chorar do meu peito é dar forma à ela. Meus medos fazem isso comigo, me perseguem em sono, e durante o dia me assombram. Acho que prova, além dos ciúmes, que sou humana, certo?
O ponto é: eu não estou desistindo, ou abrindo mão de nós. Nem toda saudade do mundo me faria desistir.
Ainda temos muita coisa pra viver.
"Então me abraça forte, e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo... Temos nosso próprio tempo..."
Ainda que nosso tempo, todo o tempo do mundo, pareça evaporar.

domingo, 14 de outubro de 2012

14 de outubro de 2012

Quando o verbo se perde na carne,
Na conversa sussurrada da madrugada,
Nem mesmo em oração, em prece murmurada
A mente se faz compreender:
Quando a carne no verbo se perde,
Os corpos se fundem, os lábios se colam.
E a mente -Ah! A mente!- ou melhor, o ser, transcende a matéria.


Uma paixão de fogo aplacada pelo beijo d'água.
Viciante feito cafeína, independente feito vento.
Uma hipérbole quando tudo for eufemismo.
Um amor escondido no detalhe, nas entrelinhas,
O amor de poetas de outros tempos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

De ônibus, Dona Benta e mochileiros.

Terça-feira, oito da manhã, ônibus vazio_uma raridade!_ uma senhorinha simpática, dessas que se parece com a dona Benta do Monteiro Lobato, se sentou do meu lado. Pensei logo cá comigo: vai querer que eu conte a vida toda. Me cumprimentou, perguntou como andava a vida_ até então eu estava certa_ e quando eu perguntei como ia a sua vida, ela olhou longamente pela janela: "não vai como eu gostaria criança." Quando quis saber se era algum problema de saúde que lhe afligia, ela disse que não, eram os males do coração. Um mal específico que perdurou por muitos e muitos anos. Troquei, curiosa, de papel com ela. Chamava-se Dalva, como a cantora do Trio de Ouro do rádio, era viúva, mas o falecido não era o espinho que lhe atormentava a alma.
"Tudo era muito difícil quando era mais nova, hoje ainda é, mas é tão mais fácil pra vocês. Não lembro o nome dele, a memória quando se chega a minha idade, já não é das melhores, mas era um rapaz bonito... os olhos dele se pareciam com os seus, assim brilhantes, curiosos_ até então jamais desconfiei que tinha olhos curiosos_ eu era mais velha que ele, que era um desse mochileiros, entende o tamanho do problema?_ como eu entendia!_ Mesmo assim namoramos por um tempo, naquela época ainda era comum isso de casar virgem, hoje anda fora de moda_ ela iria falar mesmo disso comigo, uma completa estranha?_ o ponto é que não me casei com ele, mas compartilhei ao lado dele, a melhor noite da minha vida!"_ à essa altura eu, apesar de meio constrangida, parecia uma criança ouvindo o mais belo conto de fadas que já existiu.
_ E o que se fez do seu cavaleiro andante?
_ Sumiu, foi desbravar o mundo... Procurar a felicidade debaixo das pedras.
_ E te abandonou?
_ Eu o abandonei menina, abandonei quando me recusei largar minha casa, meu conforto e ir com ele mundo à fora.
_ Por onde ele anda hoje?
_ Hoje não anda mais, me espera do outro lado... Pelo menos foi isso que ele prometeu fazer da última vez que nos vimos. Prometeu que me esperaria pra entrarmos no céu de mãos dadas.
A simplicidade com que ela falou e a espontaneidade me chocaram, momentaneamente, pois tão logo me admirei, voltei ao mundo real_onde senhorinhas simpáticas dificilmente se apaixonariam por mochileiros e se abririam assim para uma desconhecida_ e o próximo ponto era o meu.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

08 de outubro de 2012

"Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior..."
Descobri há pouco tempo o tamanho de mim, quando me fechei pra balanço, reconsiderei a vida, mudei minha visão de tudo. Deus não é mais o diretor desta peça de teatro, da qual jamais saberemos o fim, esperando pra colocar ou tirar atores de cena, e sim a força maior que rege todo o universo.
Eu, você e toda a humanidade somos uma mera poeira, um borrão no tempo, e todos fazemos parte da terra, estamos ligados à ela. Amigos não são aqueles que carrego por perto porque tenho uma dívida com eles: estes são exatamente isso - pessoas com as quais eu tenho dívidas. Amores, todos eles são válidos, mas apenas um me balança e acelera o coração. Eu não sou simplesmente isso que vêem, mas não preciso que outros saibam quem ou o quê eu sou. Esta é a minha verdade, e por minha, é única em todo o cosmos.
"Palavras te limitam", o corpo te limita.
Descobri há pouco tempo o tamanho de mim: bem mais que essa casca efêmera.
Descobri-me do tamanho da minha alma, dos meus medos, ambições e sonhos. Amores, raivas e indignações.
Descobri-me gigante, caçadora de mim.

Sei.

E o silêncio se fez absoluto fora do seu quarto, então éramos eu e você - sorrisos tímidos, pele arrepiada, dentes, lábios, confusão -  numa necessidade louca de matar a saudade, de consumir toda aquela falta acumulada. Dali pra frente, nada ou ninguém importavam mais.
Daí o mundo parou, parou como todas as vezes para quando estou com você.
De alguma forma o tempo correu mais rápido, como se alguém quisesse que a saudade voltasse.
Paradoxos malditos.
Logo o céu e todas as estrelas estavam ao alcance de um toque, o ar do mundo escapava dos pulmões e a vermelhidão tomava conta da pele, a memória se tornou um simples borrão, embaçada a ponto de realidade e lembrança romperem a linha tênue que as separa.
Meu guardião dos sonos, inspiração dos meus textos... tão meu, ainda que não me pertença.
Minha vontade, nesse domingo sem fim de tarde nostálgico, era prolongar a noite, me embalar no teu peito, com as batidas do seu coração como canção de ninar.


"Sabe, quando passa a nuvem brasa 

Arde o corpo, sopro do ar que trás essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui 
(...)
Sei, eu sei."