domingo, 31 de março de 2013

"O palhaço pena, quando cai o pano..."
Vi, já de longe, sentada na minha pequena janela de céu, o palhaço de pernas de pau, andando pelo gramado, com margaridas nas mãos... Exibia um sorriso assim, sorriso de palhaço, de quem se monta pra alegrar os outros, estregava uma flor e um riso de canto pra quem passava.
Era uma figura encantadora, intrigante. Continuei ali, observando.
A cada hora no relógio, o sol mais alto e o palhaço permanecia imutável.
Peguei-me questionando a vida dele. Quem era? Como vivia? Qual a sua história?_ não haveria Globo Repórter que explicasse a tristeza que eu sentia emanar daquele ser simpático.
Tomei uma decisão, enchi uma garrafa de água e caminhei_ marchei_ em direção ao palhaço.
_ Boa tarde bela moça._ ele cumprimentou oferecendo uma margarida. Eu gostava de margaridas.
_ Buenas caro palhaço._ o rapaz parou. Provavelmente era a primeira pessoa que lhe falava naquela tarde._ Trouxe água._ sua sobrancelha muito marcada pela maquiagem levantou-se num arco._ Eu estava naquela janela, vendo tudo e você brotou na paisagem. Fiquei curiosa. Tem alguns minutos pra conversar?
Ele sorriu, me mostrou um lugar e conversamos.
Fui a primeira pessoa que fez isso.

Das coisas que quero.

Quero sua cama quente nesse frio.
Seu corpo morno que me esquenta no calor infernal de BH.
Quero todo tempo suspenso em si.
Para que haja tempo no tempo que já não tenho.
Quero cheiro de livro novo, grama cortada e chuva que acaba de bater na terra.
Quero paciência e força de vontade pra terminar o que deixei sem final.
Sei lá o que ando querendo.
Por fim, já não sei mais de coisa alguma.