quinta-feira, 19 de julho de 2012

De pedidos, promessas e balanços anuais.

Eu também era apegada à tradição das promessas de ano novo: este ano vou emagrecer, este ano vou fazer novos amigos, este ano vou arrumar um namorado. Costumava até me vestir de acordo com meus desejos essenciais (amarelo para dinheiro, preto para sorte e azul para felicidade), mas nem todas as cores do mundo me fizeram mudar de ideia com relação ao réveillon passado.
 Acredita que eu fiquei em casa vendo Mamma Mia, enfiada num molenton velho, cantando todas as músicas do Abba, correndo para minhas apostilas no comercial?
E talvez por isso_ todas as circustâncias, somadas à tensão de um vestibular eminente_ vi o quão simples era toda a situação. Tive uma das melhores viradas de ano de toda minha vida _ melhor até que as que eu passava numa festa esperando os fogos_ sem champagne, sem som exageradamente alto e de quebra ainda conversei contigo, acho que tava tão bêbado que me soltou um "sua voz é bonita" às duas da madrugada.Um jeito bacana de começar o ano. Eis então os meus pedidos:

"Em 2012? Quero um 2011 melhorado, sem stress, sem tanta decepções. Quero novos acertos. Novos erros. Quero meus velhos amigos, quero novos amigos. Quero mais inspiração, e quem sabe eu ache A inspiração. Quero sorte, e um pouco de azar. Paciência só um pouquinho. Tempo? Pode ser. Paz? Tá na lista. Amor?...Vamos ver. Quero novos valores somados aos antigos. Quero música boa. Quero gente diferente. Quero novos hábitos, mas sem me separar dos antigos...Quero mais coragem, menos estupidez, ou melhor, quero-a na medida certa. Quero mais conhecimento. Novos lugares. Novos ares. Novos prazeres. Novas belezas. Novos conceitos. Quero novos inícios e novos finais. Quero um estado de equilíbrio no qual eu possa viver.
Desejo à vocês que fizeram e fazem parte do meu 2011 o mesmo para o próximo ano."

Isso foi tudo que meu coração, já vazio de pretensões, tenso e carregando o peso do mundo pediu no fim do ano que passou. E pela primeira vez em muito tempo a única promessa que me fiz foi a de ser feliz, porque sempre que o ano recomeçava, a história se repetia, dessa vez foi diferente: parei de esperar, de criar expectativas e deixei muita gente ir me decepcionando aos poucos, e no meio de tanta chateação você acabou por ser a única pessoa que me fazia rir, e o mais engraçado, sem estar nem ao menos perto de mim.
Agora, um por vez meus desejos _ ''quereres'' se você ainda preferir_  vão se cumprindo, ando mais paciente, com mais tempo, sem o peso do mundo... Mas não esperava por você, minha grata surpresa que o destino reservou _ convenhamos, o universo conspirava e continua a conspirar pela existência de um nós.
E sabe, sou grata por isso, afinal, há muito tempo ninguém me fazia tão bem.
Tanto tempo sem sentir um cansaço bom nos ossos depois de um dia contigo, daqueles cansaços que pedem logo a cama e um longo sono.
Tanto tempo sem ter a mínima noção de quanto um dia pode ser bom.
Pena que nem tudo são rosas_ não me refiro a você, mas aos meus pedidos_ logo eu que zelei tanto pra não decepcionar ninguém, acabei me irritando com companheiros de longa data. Irritação capaz de estragar meu humor e me entristecer quando escrevo. Por isso prefiro deixá-los de lado, tomar sua mão e seguir em frente, junto de quem ainda está comigo...
Então neste balanço de meio de ano completamente sem nexo, declaro que 2012 não foi _ até agora_ um ano perdido.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

De parques, devaneios e certeza de felicidade.

Hoje parei para reparar nas crianças no parque aqui perto de casa.
Pensei primeiro nos meus primos, em como eles se divertiriam ali, rolando na grama e essas coisas e como minhas tias correriam desesperadas gritando ''desce logo daí''.
Depois tive certeza: um dia seria eu, brincando com os meus _quem sabe os nossos_ filhos ali, observando cada mínimo detalhe de perfeição.
Você adora crianças, e quando eu perdesse a paciência com elas, você as colocaria pra dormir, alimentaria o cachorro e esqueceria, naturalmente, do peixe. E então viria pra mim, me seguraria nos braços e diria que eu era uma boa mãe, só estava estressada. Ser só meu.
Cantaria até que os pequenos dormissem, te faria uma massagem pra aliviar o peso do mundo nos seus ombros.
_ Como foi seu dia?_ e eu lhe despejaria uma enxurrada de notícias_ é o preço a se pagar por amar uma jornalista.
Então, eu seria sua.
Quero uma casa grande_ alguma vez te disse isso?_ pra poder ter meu jardim, você a churrasqueira que disputaria com meu pai. Ter um cachorro_ dois quem sabe?_; um quintal com muitas árvores.
Nunca te perguntei, mas gosta de gatos? Eu gosto, são animais independentes, me fazem lembrar de você.
Mas que eles não entrem em casa...só Deus sabe o que faria se eles pensassem em fazer algum mau para os meus livros! O quintal seria grande o bastante pra eles_ os animais, não meus livros, embora eu saiba que talvez seja o lugar mais seguro pra eles, porque te conhecendo, sei que vai querer ateá-los ao fogo quando tiver de ficar com apenas parte da atenção que te dedico.
É engraçado me pegar pensando nisso, logo eu que nem havia cogitado a idéia, tendo devaneios sobre construir uma família...
Se importa se tivermos aquelas fotos bregas espalhadas pela sala? Aquelas com imagens das últimas férias na casa dos meus pais?
E num final de domingo, depois de ver o jogo na TV, eu me sentaria nos degraus da varanda, com uma xícara de café na mão, só pra te ver brincar com as crianças no jardim, pensando no pai maravilhoso que você seria.
E teria certeza da felicidade.

domingo, 15 de julho de 2012

15 de julho de 2012

Meu egoísmo não permite que eu partilhe o que está minha mente no exato momento. Nem ao menos sei ao certo o que se passa, afinal a confusão é tão grande que me sinto tonta _ estaria eu, embriagada pelo seu beijo?_ o coração bate tão forte contra minhas pobres costelas que o som que faz me perturba o sono. Minhas pálpebras estão resistentes, não querem se abrir, pra que eu possa perceber que não passou de um sonho_ será mesmo?_ e isso é apenas parte do turbilhão que confunde, desordena.
Auto-controle?...Puf, inexistente.
Descubro-me ser humano.
Que sente ciúmes_ E tão logo perco o controle sobre o pequeno monstro verde de pintinhas roxas: me afasto. Congelo e volto ao normal._ Aperto no peito...desejo.
Ainda capaz de sorrir a cada palhaçada.
Corar a cada eu te amo.
De segredar amor na letra das músicas que a gente adora.
Desfazer planos, pelos quais eu não pensaria duas vezes para cumprir,  de um futuro minimamente calculado.
E sabe, é isso o que mais me assusta: porque eu te amo, mas não quero me viciar mais em você, me tornar dependente _você sabe o quanto eu odeio esse tipo de gente_ eu não quero mudar minha vida em função da sua. Mas talvez seja tarde demais para não querer.
Eu desejo que você esteja do meu lado quando eu estiver rodando o mundo. Te quero pertinho quando as estrelas se apagarem.
Faremos assim: você pega a sua vida, mistura com a minha e a gente vê onde dá...Topa?


sábado, 14 de julho de 2012

As vezes é engraçado com a gente se identifica com uma pessoa do outro lado da tela, sei lá, se abre conta coisas que nem seus melhores amigos sabem...é incrível com essa pessoa compartilha coisas com você, o jeito que ela te faz sorrir feito boba depois de uma brincadeira para descontrair a conversa.
Mais engraçado _ engraçado por falta de adjetivos que contornem a ironia _ ainda é o curso que a vida toma: é tanta gente conhecida que se torna estranha quando mesmo se espera. É tanto amigo indo pra longe. Tanta mágoa.
É tanta dor que o conforto está ali, naquela tela, emitindo luz, nos olhos de um desconhecido, imoveis numa foto_ onde não há amargura ou arrependimento, não há nada_ vazios. E toda a agonia se esvai aos poucos.
E cada comentário desnecessário se torna um problema, o silencio se transforma num abismo.
E a dor de perder alguém que conheceu sentí-lo morrer, talvez se equipare a dor de quem perde alguém de verdade.
"Queria falar com você por um minuto."
"Não posso, não tenho tempo, nos falamos depois."
Depois, quando? Amanhã? Semana que vem? No próximo mês? Daqui a um ano?
Nunca mais.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ela sorriu para as amigas enquanto ele parecia não olhar, e durante o tempo em que aqueles olhos castalhos se deteram nela, ela se perdia dentro de si. Esquecia do mundo e se prendia a cada vez que o chamava de mon còur em sua mente.

Vida que segue

"Mas você vai se olhar no espelho, quando for chegada a hora, vai mudar o cabelo, seu look inteiro e dizer que agora é vida que segue!"

Talvez hajam mais coisas a serem mudadas: mais do que o cabelo, mais do que as roupas. Mais que ares.
 Tá na hora de mudar tudo!
O mundo tá tão cheio de novos olhares, por que não se arriscar a vê-los?
O melhor amigo que de tão distante parece preso num precipício no meio de Mordor, merece sempre outra chance, mesmo se preciso ignorar 1000 palavras de cada 10 que ele fala.
Os sonhos abandonados no fundo do armário, merecem ser reconsiderados.
O amor que ninguém esperava batendo a sua porta e gritando em plenos pulmões ''abre, me deixa entrar''.
A inspiração no meio da noite que começa como um formigamento na ponta dos dedos? A vontade louca de dançar aquela música que adora? Ceda à essas vontades. Cá entre nós, não custa nada, e podem lhe render boas lembranças.
É hora de relembrar velhos valores. De não esquecer que pessoas são exatamente isso: pessoas.
É tempo de tocar a vida!
Tocá-la em todos os sentidos: provar seu gosto na boca do outro, seu aroma na brisa que atrapalha seu cabelo naquele fim de tarde nostálgico, sentí-la até mesmo na menor partícula de poeira.
Rir até que apareçam rugas no canto dos olhos.
A palavra de ordem é sentir, como a muito tempo não se faz _ amor pouco não devia existir!_
É tempo de se perder na imensidão do céu numa noite estrelada _ e aceitar sua diminuta existência neste universo_ se molhar na chuva, feito criança a brincar e se sentir vivo!

Porque é hora de mudar o que se pensa, como se pensa.
É hora de mudar o mundo! Uma palavra por vez.